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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Nome Santíssimo da Virgem Maria


A Liturgia celebra hoje, 12 de setembro, o Nome Santíssimo da Virgem Maria (Miryam, em hebraico). O objetivo dessa festa é que os fiéis possam se recomendar a Deus, de modo especial, por intercessão de Sua Santíssima Mãe, as necessidades da Igreja e as próprias necessidades, e agradecer a Deus pelas graças recebidas por intermédio de Sua Mãe.
Esta festa foi concedida na Espanha em 1513 e espalhou-se por todo o país; em 1683 o Papa Inocêncio XI a estendeu para toda a Igreja do Ocidente, como um ato de ação de graças pelo levantamento do cerco de Viena e a derrota dos turcos por João Sobieski, rei da Polônia. Na época ela foi estabelecida para o domingo dentro da oitava da Natividade de Nossa Senhora; hoje se celebra na data do triunfo de Sobieski.

O nome de uma pessoa é algo muito importante na Bíblia, pois representa a própria pessoa. Certamente São Joaquim e Santa Ana foram inspirados pelo Céu para escolher esse Nome à Virgem que seria um dia a Mãe do Redentor e nossa Mãe.

São Lucas registra: “O nome da Virgem era Maria”. O anjo enviado por Deus diz a ela: “não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus”.
Segundo os mariólogos o nome Miryam pode ter origens diversas: “Uns derivam o nome da raiz mery, da língua egípcia e significa mui amada. Outros dizem que provém do siríaco e quer dizer senhora, opinião de pouca solidez. A sentença mais freqüente é a que o deriva do hebraico. Dentro desta língua cabem muitas interpretações. Assim se enumeram as seguintes: “Mar amargo e rebelião; Gota do mar; Senhor de minha linhagem; Estrela do Mar; Esperança; Excelsa ou sublime; Pingue, Robusta; Amargura e Mirra”. O Cônego José Vidigal, citando Fraine, diz que “apesar de sessenta tentativas que já foram feitas a etimologia científica do nome de Maria continua incerta”.

Mais importante do que o significado exato desse Nome, é que é um Nome Poderoso, por ser o da Mãe de Deus; e que deve ser invocado sempre.
O Padre Antônio Vieira diz: “Só vos digo que invoqueis o nome de Maria quando tiverdes necessidade dele; quando vos sobrevier algum desgosto, alguma pena, alguma tristeza; quando vos molestarem os achaques do corpo, ou vos não molestarem os da alma; quando vos faltar o necessário para a vida ou desejardes o supérfluo para a vaidade; quando os pais, os filhos, os irmãos, os parentes se esquecerem das obrigações do sangue; quando vo-lo desejarem beber a vingança, o ódio, a emulação, a inveja; quando os inimigos vos perseguirem, os amigos vos desampararem, e donde semeastes benefícios, colherdes ingratidões e agravos; quando os maiores vos faltarem com a justiça, os menores com o respeito, e todos com a proximidade; quando vos inchar o mundo, vos lisonjear a carne, e vos tentar o demônio, que será sempre e em tudo; quando vos virdes em alguma dúvida ou perplexidade, em que vós não saibais resolver nem tomar conselho; quando vos não desenganar a morte alheia, e vos enganar a própria, sem vos lembrar a conta de quanto e como tendes vivido e ainda esperais viver; quando amanhecer o dia, sem saberdes se haveis de anoitecer, e quando vos recolherdes à noite, sem saber se haveis de chegar à manhã; finalmente, em todos os trabalhos, em todas as aflições, em todos os perigos, em todos os temores, e em todos os desejos e pretensões, porque nenhum de nós conhece o que lhe convém; em todos os sucessos prósperos ou adversos, e muito mais nos prósperos, que são os mais falsos e inconstantes; e em todos os casos e acidentes súbitos da vida, da honra, da fazenda, e, principalmente, nos da consciência, que em todos anda arriscada, e com ela a salvação.
E como em todas estas coisas, em cada uma delas necessitamos de luz, alento e remédio mais que humano, se em todas e cada uma recorrermos à proteção e amparo da mãe das misericórdias, não há dúvida que, obrigados da mesma necessidade, não haverá dia, nem hora, nem momento em que não invoquemos o nome de Maria”. (apud Con. Vidigal)São Bernardo, Dr. da Igreja dizia e rezava assim: “Seguindo-a não te desviarás”:

“Maria é essa Estrela esplêndida que se eleva sobre a imensidão do mar, brilhando pelos próprios méritos, iluminando por seus exemplos. Ó tu, que te sentes, longe da terra firme, levado pelas ondas deste mundo, no meio dos temporais e das tempestades, não desvies o olhar da luz deste Astro, se não quiserdes perecer.
Se o vento das tentações se elevar, se o recife das provações se erguer na tua estrada, olha para a Estrela, chama por Maria. Se fores sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.
Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, que não se afaste de teu coração; e, para obter o auxílio da sua oração, não te descuides do seu exemplo de vida. Seguindo-a, terás a certeza de não te desviares; suplicando-lhe, de não desesperar; consultando-a, de não te enganares. Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, nada terás de temer; se te conduzir, não sentirás cansaço; se te for favorável, atingirás o objetivo.”

Prof. Felipe Aquino – http://www.cleofas.com.br/

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Maria


Hoje é o dia que comemoramos o nascimento de nossa Mãe Santíssima – Maria, a Mãe de Jesus! Por isso, segue abaixo um belo pensamento da fundadora dos Focolares sobre nossa Mãe!

Maria,"celeste plano inclinado"
Um pensamento de Chiara Lubich


Maria não é facilmente entendida pelos homens, apesar de ser muito amada. De fato,é mais fácil encontrar em um coração afastado de Deus a devoção a ela, do que a devoção a Jesus.É amada universalmente. E o motivo é este: Maria é Mãe.
As mães, em geral, não são "compreendidas", especialmente pelos filhos pequenos; elas são amadas, e não é raro aliás é bastante freqüente que até um homem de oitenta anos morra pronunciando como última palavra: «Mamãe».
A mãe é mais objeto de intuição do coração do que de especulação intelectual, é mais poesia do que filosofia, pois é real e profunda demais, achegada ao coração humano. Assim é com Maria, a Mãe das mães, que a soma de todos os afetos, bondades, misericórdias das mães do mundo não consegue igualar.De certo modo, Jesus está mais diante de nós. Suas palavras divinas e fulgurantes são abundância dos frutos.
Maria é pacífica como a natureza, pura, serena, suave, bela; aquela natureza longe do mundo, na montanha, na campina, no mar, no céu azul ou estrelado. Maria é também forte, vigorosa, ordenada, contínua, inflexível, rica de esperança, porque na natureza é a vida que refloresce perenemente benéfica, ornada pela beleza vaporosa das flores, generosa na rica abundância dos frutos.

Maria é simples demais, próxima demais de nós para ser "contemplada".

Ela é "enaltecida" por corações puros e enamorados que assim exprimem o que neles há de melhor. Traz o divino à terra, suavemente, qual celeste plano inclinado que, da vertiginosa altura dos Céus, até à infinita pequenez das criaturas. É a Mãe de todos e de cada um, a única que sabe balbuciar e sorrir para o seu filho de um modo único e tal que, embora pequeno, cada um já sabe apreciar aquela carícia e responder com o seu amor àquele amor.

Não compreendemos Maria porque está demasiadamente próxima a nós. Ela, destinada pelo Eterno a levar aos homens as graças, jóias divinas do Filho, está ali do nosso lado e aguarda, sempre com esperança, que percebamos o seu olhar e aceitemos a sua dádiva. E se alguém, por sorte sua, a compreende, ela o arrebata para o seu Reino de paz, onde Jesus é rei e o Espírito Santo é o hálito daquele Céu. Lá, purificados de nossas misérias e iluminados em nossas trevas, haveremos de contemplá-la e dela fruir, paraíso adjunto, paraíso à parte.
Aqui, mereçamos que ela nos conduza pelo "seu caminho", para não permanecermos mesquinhos no espírito, com um amor que só é súplica, imploração, pedido, interesse, mas, conhecendo a um pouco, possamos glorificá-la.
(da "Desenhos de luz", Cidade Nova, 1996, p. 84)

Fonte: Focolares

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

DIREITO DE NÃO TER DIREITO

Mais uma sobre o aborto, realidade triste.
Abraços e bom fim de semana.
João Batista
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DIREITO DE NÃO TER DIREITO


Se a mesma notícia se referisse ao comportamento das tartarugas marinhas certamente teria impactado muito mais a opinião pública. Mas como alude ao comportamento humano, e mais particularmente a um problema diretamente causado por uma das vedetes da revolução-cultural feminista (diga-se sem rodeios, o direito ao aborto) passou batida mesmo.
Trata-se da constatação aterradora feita pela organização britânica ActionAid de que na Índia o número de meninas caiu ao seu nível histórico. Graças à cultura seletiva e à política pró-aborto quase irrestrita indiana, a proporção de meninas em províncias como a de Punjab chegaram a incríveis 300 para cada mil meninos. Significa dizer que em algumas regiões 2/3 das meninas que deveriam existir simplesmente não estão lá. Escolas, pátios, ruas, e só se encontram meninos. Estima-se que na Índia em 20 anos cerca de 10 milhões de meninas foram voluntariamente abortadas.
Não é preciso grande esforço para concluir que as perspectivas para este país são desesperadoras. Qualquer sociedade em desequilíbrio de gênero segue mal das pernas e em vias de caos social. O raciocínio é simples: se há escassez de homens ou mulheres, famílias não se formam, crianças não nascem, a economia retrai e o colapso conseqüente segue com a eclosão do sistema previdenciário. Muitos vivem, poucos trabalham, ninguém para pagar as contas.
O que é mais curioso nesta tragédia humanitária toda é notar como o direito ao aborto, que na ideologia feminista existe para defender os direitos da mulher, está ele mesmo a dizimar os direitos da mulher. No afã de um igualitarismo irrestrito e de direitos femininos ilimitados ao próprio corpo, vai-se conhecendo a maior discriminação prática à mulher que já se ouvir falar, àquela aonde não lhes foram concedidas nem o direito a própria existência.
Aonde estão as feministas, aonde estão os defensores apaixonados dos direitos da mulher? Silenciosos. À parte. Mas não lhes neguemos uma parcial coerência. Claro, porque uma vez que se quebrou o valor íntrinseco e objetivo do ser humano pelo simples fato de ter sido concebido, atrelou-o ao valor do relativo e do subjetivo. À luz desse novo código de ética pragmático aonde cada um tem direitos na medida da sua utilidade, quem poderá condenar uma pessoa ou uma sociedade que decide por fim a um gênero específico apenas porque no seu contexto é mais prático e rentável ter apenas um deles?
Na vida real a expressão "aborto como direito da mulher" tende assim a pura contradição, pois não pode, em absoluto, contemplar direito algum à mulher já gerada e prestes a nascer. Aliás, a esta só lhe resta a sorte e o ocaso. A prova? Grita silenciosamente através dessas milhares de mulheres indianas que deixaram de existir pelo simples fato de não serem convenientes.
É hora de entendermos, como dizia Aristóteles, que "o menor desvio inicial na verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança"; ou contemos agora o avanço da mentira do aborto como direito da mulher, ou será a vida humana corrompida em morte multiplicando-se sem fim e sem volta para todos nós e para o nosso futuro.

Para citar este artigo:

MEDEIROS, Silvio L. Apostolado Veritatis Splendor: O DIREITO DE NÃO TER DIREITO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5446. Desde 8/15/2008.

Por Silvio L. Medeiros
Fonte: http://culturadavida.blogspot.com

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Bernard Nathanson:Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"

Bom dia!

Fiquei ausente por alguns dias, vamos voltar com um tema que anda voltando em pauta: o aborto. O texto é longo mas vale a pena ler até o final.


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Bernard Nathanson: Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"


O quê pode levar um poderoso e reconhecido médico abortista a converter-se em um forte defensor da vida e abraçar os ensinamentos de Jesus Cristo?
Pode que tenha sido o peso de sua consciência pela morte de 60 mil nascituros ou talvez as muitas orações de todos aqueles que rogaram incessantemente por sua conversão?


Segundo Bernard Nathanson, o famoso "rei do aborto", sua conversão ao catolicismo resultaria inconcebível sem as orações que muitas pessoas elevaram a Deus pedindo por ele. "Estou totalmente convencido de que as suas preces foram escutadas por Ele", indicou emocionado Nathanson no dia em que o Arcebispo de Nova York, o falecido Cardeal O'Connor, o batizou.


Filho de um prestigioso médico especializado em ginecologia, o Dr. Joey Nathanson, a quem o ambiente cético e liberal da universidade o fe abdicar da sua fé, Nathanson cresceu em um lar sem fé e sem amor, onde imperava muita malícia, conflitos e ódio.


Profissional e pessoalmente Bernard Nathanson seguiu durante uma boa parte de sua vida os passos do seu pai. Estudou medicina na Universidade de McGill (Montreal), e em 1945 começou a namorar Ruth, uma jovem e bela judia com quem realizou planos de matrimônio. Porém a jovem ficou grávida e quando Bernard escreveu para o seu pai consultando-lhe sobre a possibilidade de contrair matrimônio, este lhe enviou cinco notas de 100 dólares junto com a recomendação de que escolhesse entre abortar ou ir aos Estados Unidos para casar-se, pondo em risco sua brilhante carreira como médico que o aguardava.


Bernard priorizou sua carreira e convenceu a Ruth que abortasse. Ele não a acompanhou à intervenção abortiva e Ruth voltou à sua casa sozinha, em um táxi, com uma forte hemorragia, a ponto de perder a vida. Ao recuperar-se -quase milagrosamente- ambos terminaram sua relação. "Este foi o primeiro dos meus 75.000 encontros com o aborto, me serviu de excursão inicial ao satânico mundo do aborto", confessou o Dr. Nathanson.Após graduar-se, Bernard iniciou sua residência em um hospital judeu.


Depois passou ao Hospital de Mulheres de Nova York onde sofreu pessoalmente a violência do anti-semitismo, e entrou em contato com o mundo do aborto clandestino. Nesta época já havia se casado com uma jovem judia, tão superficial quanto ele, como confessaria, com a qual permeneceu unido cerca de quatro anos e meio. Nestas circunstâncias Nathanson conheceu Larry Lader, um médico a quem só lhe obsessionava a idéia de conseguir que a lei permitisse o aborto livre e barato. Para isso fundou, em 1969, a "Liga de Ação Nacional pelo Direito ao Aborto", uma associação que tentava culpar a Igreja por cada morte ocorrida nos abortos clandestinos.


Mas foi em 1971 quando Nathanson se envolveu diretamente com a prática de abortos. As primeiras clínicas abortistas de Nova York começavam a explorar o negócio da morte programada, e em muitos casos seu pessoal carecia da licença do Estado ou de garantias mínimas de segurança. Como foi o caso da que dirigia o Dr. Harvey. As autoridades estavam a ponto de fechar esta clínica quando alguém sugeriu que Nathanson poderia encarregarse da sua direção e funcionamento. Ocorria o parodoxo incrível de que, enquanto esteve diante daquela clínica, naquele lugar havia um setor de obstetricia: isto é, se atendiam partos normais ao mesmo tempo que se praticava abortos.


Por outro lado, Nathanson realizava uma intensa atividade, dando conferências, celebrando encontros com políticos e governantes, pressionando-lhes para que fosse ampliada a lei do aborto.


"Estava muito ocupado. Quase não via a minha família. Tinha um filho de poucos anos e uma mulher, mas quase nunca estava em casa. Lamento amargamente estes anos, por mais que seja só por ter fracassado em ver meu filho crescer. Também era um segregado na profissão médica. Era conhecido como o rei do aborto", afirmou.


Durante este período, Nathandon realizou mais de 60.000 abortos, mas no fim do ano de 1972, esgotado, demitiu-se do seu cargo na clínica.


"Abortei os filhos não nascidos dos meus amigos, colegas, conhecidos e inclusive professores. Cheguei ainda a abortar meu próprio filho", chorou amargamente o médico, que explicou que por volta da metade da década de 60 engravidou a uma mulher que gostava muito dele (...) Ela queria seguir adiante com a gravidez mas ele se negou. Já que eu era um dos especialistas no tema, eu mesmo realizaria o aborto, expliquei. E assim procedi.", precisou.


Entretanto a partir deste acontecimento as coisas começaram a mudar. Deixou a clínica abortista e possou a ser chefe de obstetricia do Hospital St. Luke's. A nova tecnologia, o ultrasom, começava a aparecer no ambiente médico. No dia em que Nathanson pôde observar o coração do feto nos monitores eletrônicos, começou a perguntar-se "quê estamos fazendo verdadeiramente na clínica".


Decidiu reconhecer o seu erro. Na revista médica The New England Journal of Medicine, escreveu um artigo sobre sua experiência com os ultrasonografias, recohecendo que no feto existia vida humana. Incluia declarações como a seguinte: "o aborto deve ser visto como a interrupção de um processo que de outro modo teria produzido um cidadão no mundo. Negar esta realidade é o tipo mais grosseiro de evasão moral".


Aquele artigo provocou uma forte reação. Nathanson e sua família receberam inclusive ameaças de morte, porém a evidência de que não podia continuar praticando abortos se impôs. Tinha chegado à conclusão que não havia nenhuma razão para abortar: o aborto é um crime.


Pouco tempo depois, uma nova experiência com as ultrasonografias serviu de material para um documentario que encheu de admiração e horror ao mundo. Era titulado "O grito silencioso", e sucedeu em 1984 quando Nathanson pediu a um amigo seu - que praticava entre 15 a 20 abortos por dia- que colocasse um aparelho de ultrasom sobre a mãe, gravando a intervenção.


"Assim o fez -explica Nathanson- e, quando viu a gravação comigo, ficou tão afetado que nunca mais voltou a realizar um aborto. As gravações eram assombrosas, por mais que não eram de boa qualidade. Selecionei a melhor e comecei a projetá-la nos meus encontros pró-vida por todo o país".


Retorno do filho pródigo


Nathanson tinha abandonado sua antiga profissão de "carniceiro humano" mas ainda estava pendente o seu caminho de volta a Deus. Uma primeira ajuda veio de seu admirado professor universitário, o psiquiatra Karl Stern.


"Transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Nessa época não sabia que em 1943, após longos anos de meditação, leitura e estudo, tinha se convertido ao catolicismo. Stern possuia um segredo que eu tinha buscado toda a minha vida: o segredo da paz de Cristo".


O movimento pró-vida lhe havia proporcionado o primeiro testemunho vivo da fé e do amor de Deus. Em 1989 esteve em uma ação de Operação Resgate nos arredores de uma clínica. O ambiente dos que lá se manifestavam pacíficamente a favor da vida dos nascituros lhe havia comovido: estavam serenos, contentes, cantavam, rezavam... Os mesmos meios de comunicação que cobriam o evento e os policiais que vigilavam, estavam assombrados pela atitude destas pessoas. Nathanson ficou cativado "e, pela primeira vez em toda minha vida de adulto comecei a considerar seriamente a noção de Deus, um Deus que tinha permitido que eu andasse por todos os proverbiais circuitos do inferno, para ensinar-me o caminho da redenção e da misericódia através da sua graça".



"Durante dez anos passei por um período de transição. Senti que o peso dos meus abortos se fazia mais grave e persistente pois me despertava cada dia às 4 ou 5 da manhã, olhando a escuridão e esperando (mas sem rezar ainda) que se iluminasse um letreiro declarando-me inocente ante um juri invísivel", indica Nathanson.


Logo, o médico acaba lendo "As Confissões", de Santo Agostinho, livro que qualificou como "alimento de primeira necessidade", convertendo-se em seu livro mais lido já que Santo Agostinho "falava do modo mais completo de meu tormento existencial; porém eu não tinha uma Santa Mônica que me ensinasse o caminho e estava acusado por uma negra desesperança que não diminuia".


Nesta situação não faltou a tentação do suicídio, mas, afortunadamente, decidiu buscar uma solução diferente. Os remédios tentados falhavam: álcool, tranquilizantes, livros de auto-estima, conselheiros, até chegar a psicanálise, onde permaneceu por 4 anos.


O espírito que animava aquela manifestação pró-vida endereçou a sua busca. Começou a conversar periódicamente com Padre John McCloskey; não lhe resultava fácil crer, mas pelo contrário, permanecer no agnosticismo, levava ao abismo. Progressivamente se descobria a si mesmo acompanhado de alguém que se importava por cada um dos segundos da sua existência. "Já não estou sozinho. Meu destino foi dar voltas pelo mundo à busca deste Alguém sem o qual estou condenado, porém a que agora me agarro desesperadamente, tentando não soltar-me da orla do seu manto".


Finalmente, no dia 9 de dezembro de 1996, às 7:30 de uma segunda feira, solenidade da Imaculada Conceição, na cripta da Catedral de São Patrício de Nova York, o Dr. Nathanson se convertia em filho de Deus. Entrava a formar parte do Corpo Místico de Cristo, sua Igreja. O Cardeal O 'Connor lhe administrou os sacramentos do Batismo, Confiirmação e Eucaristia.


Um testemunho expressa assim este momento: "Esta semana experimentei com uma evidência poderosa e fresca que o Salvador que nasceu há 2.000 anos em um estábulo continua transformando o mundo. Na segunda-feira passado fui convidado a um Batismo. (...) Observei como Nathanson caminhava até o altar. Que momento! Tal qual no primeiro século... um judeu convertido caminhando nas catacumbas para encontrar a Cristo. E sua madrinha era Joan Andrews. As ironias abundam. Joan é uma das mais destacadas e conhecidas defensoras do movimento pró-vida... A cena me queimava por dentro, porque justo em cima do Cardeal O 'Connor havia uma Cruz... Olhei para a Cruz e me percatei de que o que o Evangelho ensina é a verdade: a vitória está em Cristo".


As palavras de Bernard Nathanson no fim da cerimônia, foram curtas e diretas. "Não posso dizer como estou agradecido nem a dívida tão impagável que tenho com todos aqueles que rezaram por mim durante todos os anos nos quais me proclamava públicamente ateu. Rezaram teimosa e amorosamente por mim. Estou totalmente convencido de que suas orações foram escutadas."


Fonte: ACI Digital

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Leigos

Olha o que a Igreja fala para nós leigos:

"Incumbe, portanto, a todos os leigos a magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio de salvação atinja cada vez mais os homens de todos os tempos e lugares. Esteja-lhes, pois, amplamente aberto o caminho, a fim de que, segundo as próprias forças e as necessidades dos tempos, também eles participem com ardor na ação salvadora da Igreja." (Lumen Gentium, 33).
Continuemos evangelizando cada vez mais!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Santa Monica






Hoje é o dia de Santa Monica. Vamos conhecer um pouco da vida dessa Grande Santa, e pedir a Deus a graça de copiar um pouco dessa fé e perseverança, nessa semana que comemoramos as vocações leigas.






Um ótimo dia!






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Santa Mônica nasceu em Tagaste, África, por volta do ano 331. Foi a mãe do célebre doutor da Igreja, Santo Agostinho. Jovem, ainda, ela casou com Patrício e teve filhos, um dos quais foi Agostinho de Hipona, convertido ao cristianismo, graças às suas orações e lágrimas.






Foi uma mulher de intensa oração e de virtudes comprovadas. Em seu livro, Confissões, Santo Agostinho fala de sua mãe com grande estima e veneração: Superou infidelidades conjugais, sem jamais hostilizar, demonstrar ressentimento contra o marido, por isso. Esperava que tua misericórdia descesse sobre ele, para que tivesse fé em ti e se tornasse casto.






Embora de coração afetuoso, ele se encolerizava facilmente. Minha mãe havia aprendido a não o contrariar com atos ou palavras, quando o via irado. Depois que ele se refazia e acalmava, ela procurava o momento oportuno para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir ...






Sempre que havia discórdia entre pessoas, ela procurava, quando possível, mostrar-se conciliadora, a ponto de nada referir de uma à outra, senão o que podia levá-las a se reconciliarem ...






Educara os filhos, gerando-os de novo tantas vezes quantas os visse afastarem-se de ti. Enfim, ainda antes de adormecer para sempre no Senhor, quando já vivíamos em comunidades depois de ter recebido a graça do batismo (...), ela cuidou de todos, como se nos tivesse gerado a todos, servindo a todos nós, como se fosse filha de cada um (Confissões, Ed. Paulinas, p. 234).






sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Nossa Senhora Mãe Rainha


Hoje é o dia em que celebramos a festa de Nossa Senhora, Rainha do Céu e da terra.
Façamos essa oração:


Maria Santíssima, Rainha do Céu e da terra,

foi sempre à vencedora de todas as batalhas de Deus:

Voltem-se os governantes do mundo para Ela e o Seu cetro fará triunfar a causa do bem,

com o triunfo da Igreja e do Reino de Deus!

Reze com devoção e confiança esta oração:

OH Maria sem pecado concebida!

A mais Preciosa Menina, Rainha das Maravilhas.

Ajuda-me neste dia a ser sempre teu verdadeiro filho,

para chegar um dia ao Deus da Vida.


És Rainha do Céu e da Terra, gloriosa e digna Rainha do Universoa quem podemos invocar de dia e de noite,

não só com o doce nome de Mãe,

mas também com o de Rainha, como te saúdam no Céu com alegria e amor todos os Anjos e Santos.


Nossa Senhora Rainha, Celeste Aurora, enviai a luz divina do Universo para me ajudar a resolver estes problemas (descrever resumidamente as suas intençoes).

Amém.



quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O Sacramento da Ordem

Continuando a falar sobre a bela vocação ao sacerdócio, segue um texto do prof. Felipe Aquino sobre o Sacramento da Ordem.

Abraços e uma ótima quarta feira para você!

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O sacramento da ordem
Este é o Sacramento que constitui os Ministros do Senhor. Ele pode ser ministrado em três Ordens: episcopado, presbiterado e diaconato.
No Antigo Testamento, Deus escolheu a tribo de Levi para dela saírem os sacerdotes da antiga aliança. Eram muitos os sacerdotes, os ritos e os sacrifícios (Nm 3,11-13; Lv 1,27-34).
Jesus veio para com o seu sacrifício levar à plenitude os sacrifícios da Antiga Aliança; por isso, Ele aboliu o sacerdócio levítico e fez-se Ele mesmo o Único Sacerdote da Nova e Eterna Aliança, de acordo com Melquisedec, Rei e Sacerdote (Hb 7,1-10; 10,4-10). Como único Sacerdote ofereceu um Único sacrifício, oblação perfeita da sua vida da sua vontade, entregues ao Pai. O seu Sim, inspirado no amor a nós, apagou o Não dito pelo primeiro homem por falta de amor ao Pai.
Até que Ele volte Cristo quer continuar o seu sacerdócio para aplicar os frutos da Redenção aos homens, através dos ministros que Ele escolheu e escolhe. Estes participam do único e mesmo sacerdócio de Jesus e oferecem o único sacrifício do Senhor na cruz; agem como se fossem a mão e o braço de Jesus estendido através de todos os séculos, para salvar todos os homens. Jesus escolheu os Doze Apóstolos para dar início à Igreja, porque quis que ela não fosse um povo sem forma, ao contrário, a quis estruturada em uma hierarquia definida, como mostram os Evangelhos: “Ele escolheu Doze para estarem com Jesus” (Mc 3, 13-16).
Jesus lhes deu ordem e poder de agirem como se fosse Ele mesmo: “Quem vos ouve, a mim ouve; que vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Segundo o Concílio de Trento, os Apóstolos foram constituídos sacerdotes na última Ceia. (DS, 1752[949]).
Além dos Doze, Jesus chamou mais 72 colaboradores, com missão análoga à dos Apóstolos. Os Atos dos Apóstolos mostram que Pedro e Paulo iam instituindo presbíteros (epískopoi em grego) onde passavam (At 14,23; 15,2-6; 11,30; Tt 1,5; 1Tm 4,14; 5,17; 1Pd5,1), para que esses dirigissem a comunidade.
Não havia igrejas independentes dos Apóstolos, como muitas são hoje criadas. Os Apóstolos também instituíram diáconos que ocupavam um lugar abaixo dos presbíteros (At 6,1-6; 1Tm 3,8-13).
Enquanto os Apóstolos eram vivos, eles eram os responsáveis pelas comunidades cristãs, abaixo deles havia um colegiado de anciãos (presbyteroi em grego) ou episkopoi (superintendente), e mais abaixo os diáconos. No fim da vida dos Apóstolos, foi surgindo o “episcopado monárquico”, sendo escolhido um presbítero que se tornava o pastor estável da comunidade, com o título exclusivo de episkopos (= bispo), enquanto os demais ficavam com o título e presbíteros. Assim, os bispos são os sucessores dos Apóstolos. Cada um tem jurisdição apenas sobre a sua diocese, enquanto o bispo de Roma, o Papa, que é sucessor direto de São Pedro, tem jurisdição sobre a Igreja toda.
A plenitude do sacerdócio de Cristo é conferida ao bispo. Ele pode consagrar a Eucaristia e ordenar presbíteros. Esses não podem ordenar outros presbíteros.
Nos primeiros séculos da Igreja houve as diaconisas, mulheres encarregadas da catequese e outras funções, mas não recebiam o sacramento da Ordem, apenas uma bênção (sacramental) para exercer o ministério.
O SACRAMENTO DA ORDEM NO CATECISMO
O Catecismo da Igreja ensina os pontos mais importantes do Sacramento da Ordem.
§ 1536 – A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é, portanto, o sacramento do ministério apostólico.
Comporta três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconado.
(...)
§ 1539 – O povo eleito foi constituído por Deus como “um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6) (Cf. Is 61,6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus escolheu uma das doze tribos, a de Levi, reservando-a para o serviço litúrgico (Cf. Nm 1,48-53), Deus mesmo é sua herança (Cf. Js 13,33). Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da antiga aliança (Cf. Ex 29,1-30; Lv 8).
Os sacerdotes são aí “constituídos para intervir em favor dos homens em suas relações com Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Cf. Hb 5,1).
§ 1540 – Instituído para anunciar a palavra de Deus (Cf. Ml 2,7-9) e para restabelecer a comunhão com Deus pelos sacrifícios e pela oração, esse sacerdócio continua, não obstante, impotente para operar a salvação. Precisa, por isso, repetir sem cessar os sacrifícios, e não é capaz de levar à santificação definitiva (Cf. Hb 5,3.7,27; 10,1-4), que só o sacrifício de Cristo deveria operar.
(...)
O Único sacerdócio de Cristo
§ 1544 – Todas as prefigurações do sacerdócio da antiga aliança encontram seu cumprimento em Cristo Jesus, “único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5). Melquisedec, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14,18), é considerado pela Tradição cristã como uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, único “sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 5,10;6,20), santo, inocente, imaculado” (Hb 7,16), que “com uma única oferenda levou à perfeição, e para sempre, os que ele santifica” (Hb 10,14), isto é, pelo único sacrifício de sua Cruz.
§ 1545 – O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. Não obstante, torna-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo acontece com o único sacerdócio de Cristo: torna-se presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuir em nada a unicidade do sacerdócio de Cristo. “Por isso, somente Cristo é o verdadeiro sacerdote; os outros são meus ministros.” (Sto. Tomás de Aquino, Hebr., 7,4).
(...)
§ 1547 – O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis, embora “ambos participem, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG 10), diferem, entretanto, essencialmente, mesmo sendo “ordenados um ao outro” (LG 10). Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça batismal, vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito, o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos.
É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e de conduzir sua Igreja. Por isso, é transmitido por um sacramento próprio, o sacramento da Ordem.“In persona Christi Capitis” (Na pessoa de Cristo Cabeça...)
§ 1548 – No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto Cabeça de seu Corpo, Pastor de seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, Mestre da verdade. A Igreja o expressa dizendo que o sacerdote, em virtude do sacramento da Ordem, age “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça) ( Cf. LG 10; 28; SC 33; CD 11; PO 2; 6).
Na verdade, o ministro faz as vezes do próprio Sacerdote, Cristo Jesus. Se, na verdade, o ministro é assimilado ao Sumo Sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa (“Virtute ac persona ipsius Christi”) ( Pio XII, enc. Mediator Dei).“Cristo é a origem de todo sacerdócio: pois o sacerdote da [Antiga] Lei era figura dele, ao passo que o sacerdote da nova lei age em sua pessoa.”(Sto. Tomás de Aquino, S. Th III, 22,4).
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§ 1550 – Esta presença de Cristo no ministro não deve ser compreendida como se estivesse imune a todas as fraquezas humanas, ao espírito de dominação, aos erros e até aos pecados. A força do Espírito Santo não garante do mesmo modo todos os atos dos ministros. Enquanto nos sacramentos esta garantia é assegurada, de tal forma que mesmo o pecado do ministro não possa impedir o fruto da graça, há muitos outros atos em que a conduta humana do ministro deixa traços que nem sempre são sinal de fidelidade apostólica da Igreja.
§ 1556 – Para desempenhar sua missão, “os Apóstolos foram enriquecidos por Cristo com especial efusão do Espírito Santo, que desceu sobre eles. E eles mesmos transmitiram a seus colaboradores, mediante a imposição das mãos, este dom espiritual que chegou até nós pela sagração episcopal” (LG 21).
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§ 1558 – “A sagração episcopal, juntamente com o múnus de santificar, confere também os de ensinar e de reger... De fato, mediante a imposição das mãos e as palavras da sagração, é concedida a graça do Espírito Santo e impresso o caráter sagrado, de tal modo que os Bispos, de maneira eminente e visível, fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor e Pontífice, e agem em seu nome (“in eius persona agant”)” (Ibid). “Os Bispos, portanto, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, foram constituídos como verdadeiros e autênticos mestres da fé, pontífices e pastores”(CD. 2).
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Do livro OS SETE SACRAMENTOS
Do Prof. Felipe Aquino

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Celibato Sacerdotal

Nessa semana, recordamos a vocação à vida consagrada: religiosos, religiosas, consagradas e consagrados nos institutos e comunidade de vida apostólica e nas novas comunidades.
Essa recordação é feita porque no dia 15 celebramos o Dia da Assunção de Maria aos céus - que comemoramos ontem na Liturgia. Maria, como mulher modelo de consagração a Deus dá o tom da comemoração do dia da vocação à vida consagrada.
Segue um documento do cardeal Claudio Hummes sobre o tema tão comentado que é o celibato sacerdotal. Importante que nós católicos, conheçamos os motivos e necessidades desse dom que é o celibato, que Deus concede aos nossos queridos sacerdotes e religiosos.
A nós, leigos que não somos celibatários, a mesma castidade nos é requerida, mas de uma outra forma, pela é a fidelidade à esposa/esposo. A eles (os padres e religiosos), o chamado vai além, por isso, exige vocação diferente da nossa, um amor superior a Jesus, a formação, e dedicação total à Jesus e ao Reino de Deus.
Uma ótima semana a todos e boa leitura.
Oremos sempre pela santificação de nossos queridos padres, religiosos e religiosas, para que possam assumir com amor e santidade essa bela vocação que receberam de Jesus.
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REFLEXÕES DO CARDEAL CLAÚDIO HUMMES
POR OCASIÃO DO XL ANIVERSÁRIO DA CARTA ENCÍCLICA
«SACERDOTALIS CAELIBATUS»
DO PAPA PAULO VI



A importância do celibato sacerdotal


Entrando no XL aniversário da publicação da Encíclica "Sacerdotalis caelibatus" de Sua Santidade Paulo VI, a Congregação para o Clero considera oportuno recordar o ensinamento magisterial deste importante documento pontifício.


Verdadeiramente, o celibato sacerdotal é um dom precioso de Cristo à sua Igreja, um dom sobre o qual é necessário meditar e revigorar sempre de novo, sobretudo no mundo de hoje profundamente secularizado.


De fato os estudiosos indicam que as origens do celibato sacerdotal nos fazem remontar aos tempos apostólicos. Ignace de la Potterie escreve: "Há uma geral sintonia entre os estudiosos para dizer que a obrigação do celibato ou pelo menos da continência se tornou lei canônica desde o século IV. [...]. Mas é importante observar que os legisladores do IV ou V século afirmavam que esta disposição canônica se baseava numa tradição apostólica. Dizia por exemplo o Concílio de Cartagena (de 390): "Convém que aqueles que estão ao serviço dos mistérios divinos sejam perfeitamente continentes (continentes esse in omnibus) para que aquilo que os apóstolos ensinaram e a própria antiguidade manteve, o observemos nós também"(1). No mesmo sentido, A. M. Stickler fala de assuntos bíblicos em favor do celibato de inspiração apostólica (2).


Desenvolvimento histórico


O Magistério solene da Igreja recorda ininterruptamente as disposições sobre o celibato eclesiástico. O Sínodo de Elvira (300-303?) no Cânone 27 prescreve: "Um Bispo, como qualquer outro clérigo, tenha consigo unicamente ou uma irmã ou uma virgem consagrada; estabeleceu-se que não deva absolutamente ter uma estranha"; e no cânone 33: "Decidiu-se amplamente a seguinte proibição aos Bispos, aos presbíteros e aos diáconos, assim como a todos os clérigos que exercem um ministério: abstenham-se das suas esposas e não gerem filhos; quem o fizer deverá ser afastado do estado clerical"(3).

Também o Papa Cirício (384-399), na carta ao Bispo Imério de Tarragona de 10 de Fevereiro de 385, afirma: "O Senhor Jesus [...] quis que a figura da Igreja, da qual é o esposo, emane o esplendor da castidade [...] pela lei indissolúvel destas disposições todos nós sacerdotes estamos ligados [...] para que desde o dia da nossa ordenação entreguemos quer os nossos corações quer os nossos corpos à sobriedade e à castidade, para agradar ao Senhor nosso Deus nos sacrifícios que oferecemos todos os dias" (4).


No Concílio Ecumênico Lateranense I de 1123, no Cânone 3, lemos: "Proibimos do modo mais absoluto aos sacerdotes, diáconos, subdiáconos, de viver com as concubinas ou com as esposas e de coabitar com mulheres diversas das que o Concílio de Nicéia (325) permitiu que se viva"(5). Assim também na sessão XXIV do Concílio de Trento, no Cânone 9, se recorda a absoluta impossibilidade de contrair matrimônio aos clérigos constituídos nas ordens sagradas ou aos religiosos que fizeram profissão solene de castidade; com ela a nulidade do próprio matrimônio, juntamente com o dever de pedir a Deus o dom da castidade com intenção reta(6).

Em tempos mais recentes o Concílio Vaticano II recordou na declaração "Presbyterorum ordinis", 7 o vínculo estreito entre celibato e Reino de Deus, vendo no primeiro um sinal que anuncia de modo radioso o segundo, um início de vida nova, a cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado.

Com a encíclica de 24 de Junho de 1967, Paulo VI manteve uma promessa feita aos Padres conciliares dois anos antes. Ele examina as objeções apresentadas em relação à disciplina do celibato e, ressaltando os seus fundamentos cristológicos e fazendo apelo à história e ao que os documentos dos primeiros séculos nos ensinam a propósito das origens do celibato-continência, confirma plenamente o seu valor.

O Sínodo dos Bispos de 1971, quer no esquema pré-sinodal Mysterium presbyterorum (15 de Fevereiro), quer no documento final Ultimis temporibus (30 de Novembro), afirma a necessidade de conservar o celibato na Igreja latina, iluminando o seu fundamento, a convergência dos motivos e as condições que o favorecem(8).

A nova codificação da Igreja latina de 1983 reafirma a tradição de sempre: "Os clérigos são obrigados a observar a continência perfeita e perpétua pelo Reino dos céus; por isso são obrigados ao celibato, que é um dom especial de Deus, pelo qual os ministros sagrados podem mais facilmente unir-se a Cristo de coração indiviso e dedicar-se mais livremente ao serviço de Deus e dos homens"(9).

Na mesma linha se move o Sínodo de 1990, do qual surgiu a exortação apostólica do Servo de Deus o Papa João Paulo II Pastores dabo vobis, na qual o Pontífice apresenta o celibato como uma exigência de radicalismo evangélico, que favorece de modo especial o estilo de vida esponsal e que brota da configuração do sacerdote com Jesus Cristo, através do Sacramento da Ordem(10).

O Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992 e que recolhe os primeiros frutos do grande acontecimento do Concílio Ecumênico Vaticano II, reafirma a mesma doutrina: "Todos os ministros ordenados na Igreja Latina, à exceção dos diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre os homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato "por amor do Reino dos Céus""(11).

No mesmo recentíssimo Sínodo sobre a Eucaristia, segundo a publicação provisória, oficiosa e não oficial das suas proposições finais, concedida pelo Papa Bento XVI, na proposição n. 11, sobre a escassez de clero em algumas partes do mundo e sobre a "fome eucarística" do povo de Deus, reconhece-se "a importância do dom inestimável do celibato eclesiástico na prática da Igreja latina".
Com referência ao Magistério, particularmente ao Concílio Ecumênico Vaticano II e aos últimos pontífices, os padres pediram que fossem ilustradas adequadamente as razões da relação entre celibato e ordenação sacerdotal, no pleno respeito da tradição das Igrejas Orientais. Houve quem fizesse referência à questão dos viri probati, mas a hipótese foi avaliada como um caminho que não se deve percorrer.


Só no passado dia 16 de Novembro de 2006 o Papa Bento XVI presidiu no Palácio Apostólico a uma das periódicas reuniões dos Chefes de Congregações da Cúria Romana. Naquela sede foi reafirmado o valor da opção do celibato sacerdotal segundo a ininterrupta tradição católica e foi reafirmada a exigência de uma sólida formação humana e cristã quer para os seminaristas quer para os sacerdotes já ordenados.


As razões do Sagrado Celibato


Na Encíclica "Sacerdotalis caelibatus", Paulo VI apresenta inicialmente a situação em que se encontrava naquele tempo a questão do celibato sacerdotal, quer sob o ponto de vista do seu apreço quer das objeções.
As suas primeiras palavras são determinantes e ainda atuais: "O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda desde há séculos como brilhante pedra preciosa, conserva todo o seu valor mesmo nos nossos tempos, caracterizados por uma transformação profunda na mentalidade e nas estruturas"(12).
Paulo VI revela o que ele mesmo meditou, interrogando-se sobre o assunto para poder responder às objeções, e conclui: "Julgamos portanto que a lei vigente do celibato consagrado deve ainda hoje, acompanhar firmemente o ministério eclesiástico; deve tornar possível ao ministro a sua escolha exclusiva, perene e total do amor único de Deus e ao serviço da Igreja, e deve ser característica do seu estado de vida, tanto na comunidade dos fiéis como na profana"(13).

"É certo", acrescenta o Papa, "conforme declarou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a virgindade não é requerida pela própria natureza do sacerdócio, como se conclui da prática da Igreja primitiva e da tradição das Igrejas Orientais ( "Presb. Ord", 16). Mas o mesmo Sagrado Concílio não hesitou em confirmar solenemente a antiga, sagrada e providencial lei vigente do celibato sacerdotal, expondo também os motivos que a justificam aos olhos de quem sabe apreciar com espírito de fé e com íntimo e generoso fervor os dons divinos"(14).

É verdade. O celibato é um dom que Cristo oferece a quantos são chamados ao sacerdócio. Este dom deve ser acolhido com amor, alegria e gratidão. Assim, será fonte de felicidade e de santidade.

As razões do celibato sagrado, expostas por Paulo VI, são três: o seu significado cristológico, o significado eclesiológico e o escatológico.

Comecemos com o significado cristológico.
Cristo é novidade. Realiza uma nova criação. O seu sacerdócio é novo. Ele renova todas as coisas. Jesus, o Filho unigênito do Pai, enviado ao mundo, "fez-se homem para que a humanidade sujeita ao pecado e à morte, fosse regenerada e, por meio dum nascimento novo, entrasse no Reino dos céus.
Consagrando-se inteiramente à vontade do Pai, Jesus realizou, por meio do seu mistério pascal, esta nova criação, introduzindo no tempo e no mundo uma forma de vida, sublime e divina, que transforma a própria condição terrena da humanidade"(15).

O próprio matrimônio natural, abençoado por Deus desde a criação, mas ferido pelo pecado, foi renovado por Cristo, que "o elevou à dignidade de sacramento e de sinal misterioso da sua união com a Igreja. [...]
Mas Cristo, Mediador de um Testamento mais excelente (cf. Hb 8, 6), abriu também um novo caminho, em que a criatura humana, unindo-se total e diretamente ao Senhor, e preocupada apenas com Ele e com as coisas que Lhe dizem respeito, manifesta de maneira mais clara e completa a realidade profundamente inovadora do Novo Testamento"(16).

Esta novidade, este novo caminho, é a vida na virgindade, que o próprio Jesus viveu, em harmonia com o seu ser mediador entre o céu e a terra, entre o Pai e o gênero humano. "Em plena harmonia com esta missão, Cristo manteve-se toda a vida no estado de virgindade, o que significa a sua dedicação total ao serviço de Deus e dos homens"(17). Serviço de Deus e dos homens significa amor total e sem reservas, que marcou o viver de Jesus entre nós. Virgindade por amor do Reino de Deus!

Mas, Cristo, chamando os seus sacerdotes a serem ministros da salvação, isto é, da nova criação, chama-os a ser e a viver em novidade de vida, unidos e semelhantes a Ele na forma mais perfeita possível. Disto deriva o dom do sagrado celibato, como configuração mais plena com o Senhor Jesus e profecia da nova criação.
Os seus apóstolos foram por Ele chamados "amigos". Chamou-os a segui-lo muito de perto, em tudo, até à cruz. E a cruz os levará à ressurreição, à nova criação realizada.
Por isso sabemos que segui-lo com fidelidade na virgindade, que inclui uma imolação, nos conduzirá à felicidade. Deus não chama à infelicidade, mas à felicidade. A felicidade, contudo, conjuga-se sempre com a fidelidade. Disse-o o saudoso Papa João Paulo II aos esposos reunidos com ele no II Encontro Mundial das Famílias, no Rio de Janeiro.

Assim emerge o tema do significado escatológico do celibato, enquanto sinal e profecia da nova criação, ou seja, do Reino definitivo de Deus na Parusia, quando todos ressuscitarem da morte.

"Deste Reino, a Igreja constitui na terra o germe e o início", como nos ensina o Concílio Vaticano II(18). Nestes "últimos tempos", a virgindade, vivida por amor do Reino de Deus, constitui um sinal particular, porque o Senhor anunciou que "com a ressurreição [...] não se tem nem esposa nem marido, mas somos como anjos de Deus no céu" (19).

Num mundo como o nosso, mundo do espetáculo e dos prazeres fáceis, profundamente fascinado pelas coisas terrenas, sobretudo pelo progresso das ciências e das tecnologias recordamos as ciências biológicas e as biotecnologias o anúncio de um além, ou seja, de um mundo futuro, de uma parusia, como acontecimento definitivo de uma nova criação, é determinante e ao mesmo tempo liberta da ambigüidade das aporias, das vozearias, dos sofrimentos e contradições, em relação aos verdadeiros bens e aos novos conhecimentos profundos que o progresso humano atual traz consigo.

Finalmente, o significado eclesiológico do celibato conduz-nos mais diretamente à atividade pastoral do sacerdote.

Afirma a Encíclica: "A virgindade consagrada dos sacerdotes manifesta, de fato, o amor virginal de Cristo pela sua Igreja e a fecundidade virginal e sobrenatural desta união"(20). Semelhante a Cristo e em Cristo, o sacerdote desposa-se misticamente com a Igreja, ama a Igreja com amor exclusivo.

Assim, dedicando-se totalmente às coisas de Cristo e do seu Corpo Místico, o sacerdote goza de uma ampla liberdade espiritual para estar ao serviço amoroso e total de todos os homens, sem distinção.

"Assim o sacerdote, na morte quotidiana de si mesmo, na renúncia ao amor legítimo de uma própria família por amor de Cristo e do seu Reino, encontrará a glória de uma vida em Cristo pleníssima e fecunda, porque como Ele e n'Ele ama e se entrega a todos os filhos de Deus"(21).

A Encíclica acrescenta ainda como o celibato faça crescer a idoneidade do sacerdote à escuta da Palavra de Deus e à oração, assim como o habilita para colocar totalmente no altar a própria vida, que traz os sinais do sacrifício(22).


Valor da castidade e do celibato


O celibato, antes de ser uma disposição canônica, é um dom de Deus à sua Igreja, é uma questão ligada à dedicação total ao Senhor. Mesmo na distinção entre a disciplina celibatária dos seculares e a experiência religiosa da consagração e da emissão dos votos, está fora de questão que não há outra interpretação nem justificação possível do celibato eclesiástico fora da dedicação total ao Senhor, numa relação que seja, também sob o ponto de vista afetivo, exclusiva; isto pressupõe uma forte relação pessoal e comunitária com Cristo, que transforma os corações dos Seus discípulos.

A opção celibatária da Igreja Católica de rito latino desenvolveu-se, desde os tempos apostólicos, precisamente no seguimento da relação do sacerdote com o seu Senhor, tendo como grande ícone o "Amas-me mais do que estes?" (23)que Jesus Ressuscitado dirige a Pedro.

As razões cristológicas, eclesiológicas e escatológicas do celibato, todas radicadas na comunhão especial com Cristo à qual o sacerdote é chamado, são portanto declináveis em diversos modos segundo quanto é afirmado expressamente pela "Sacerdotalis caelibatus".


Antes de tudo o celibato é "sinal e estímulo da caridade pastoral"(24). Ela é o critério supremo para julgar a vida cristã em todos os seus aspectos; o celibato é um caminho de amor, mesmo se o próprio Jesus, como refere o Evangelho segundo Mateus, afirma que nem todos podem compreender esta realidade: "Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado"(25).


Esta caridade declina-se no clássico dúplice aspecto de amor a Deus e aos irmãos: "Com a virgindade ou o celibato observado pelo Reino dos céus os presbíteros consagram-se a Deus com um novo e excelso título, aderem mais facilmente a Ele com coração indiviso"(26).
São Paulo, num trecho ao qual aqui se alude, apresenta o celibato e a virgindade como "caminho para agradar a Deus" sem divisões(27): por outras palavras, um "caminho do amor" que certamente pressupõe uma vocação particular, e neste sentido é um carisma, e que é em si mesmo excelente quer para o cristão quer para o sacerdote.

O amor radical para com Deus torna-se através da caridade pastoral amor para com os irmãos. Na "Presbyterorum ordinis" lemos que os sacerdotes "se dedicam mais livremente a ele e para ele ao serviço de Deus e dos homens, servem com maior eficiência o seu Reino e a sua obra de regeneração divina e deste modo se dispõem melhor para receber uma paternidade mais ampla em Cristo"(28).
A experiência comum confirma como seja mais simples abrir o coração aos irmãos plenamente e sem reservas para quem não está ligado a outros afetos, por muito legítimos ou santos que sejam, além do de Cristo.

O celibato é o exemplo que o próprio Cristo nos deixou. Ele quis ser celibatário. Explica ainda a Encíclica: "Cristo permaneceu por toda a sua vida no estado de virgindade, o que significa a sua total dedicação ao serviço de Deus e dos homens. Esta profunda relação entre a virgindade e o sacerdócio de Cristo reflete-se em quantos têm o privilégio de participar da dignidade e da missão do Mediador e Sacerdote eterno, e esta participação será tanto mais perfeita, quanto mais o sagrado ministério estiver livre de vínculos de carne e de sangue"(29).


A existência histórica de Jesus Cristo é o sinal mais evidente de que a castidade assumida de modo voluntário por Deus é uma vocação solidamente fundada quer a nível cristão quer da comum racionalidade humana.


Se a vida cristã comum não pode ser legitimamente considerada tal excluindo a dimensão da Cruz, tanto mais a existência sacerdotal seria ininteligível prescindindo da óptica do Crucificado. O sofrimento, por vezes a fadiga e o tédio, até o impasse, têm o seu lugar na existência de um sacerdote, que, contudo, não é por eles definitivamente determinada.
Escolhendo seguir Cristo, desde o primeiro momento, comprometemo-nos a segui-lo até ao Calvário, recordando-nos que é a assunção da própria cruz o elemento que qualifica a radicalidade do seguimento.


Por fim, como foi dito, o celibato é um sinal escatológico. Na Igreja, está presente desde agora o Reino futuro: ela não só o anuncia, mas realiza-o sacramentalmente contribuindo para a "criação nova", enquanto a Sua glória não se manifestar plenamente.


Enquanto o sacramento do matrimônio enraíza a Igreja no presente, imergindo-a totalmente na ordem terrena, a qual se torna ela mesma possível lugar de santificação, a virgindade remete imediatamente para o futuro, para aquela perfeição da criação que será levada a pleno cumprimento somente no final dos tempos.


Meios para ser fiéis ao celibato


A sabedoria bimilenária da Igreja, perita em humanidade, tem indicado constantemente ao longo dos tempos alguns elementos fundamentais e irrenunciáveis para favorecer a fidelidade dos seus filhos ao carisma sobrenatural do celibato.

Entre eles, sobressai, também no recente magistério, a importância da formação espiritual do sacerdote chamado a ser "testemunha do Absoluto". Afirma a Pastores dabo vobis: "Formar-se para o sacerdócio significa habituar-se a dar uma resposta pessoal à questão fundamental de Cristo: "Tu amas-me?". A resposta, para o futuro sacerdote, não pode ser senão o dom total da sua própria vida" (30).
Neste sentido são absolutamente fundamentais os anos da formação quer a remota, vivida em família, quer sobretudo a próxima, nos anos do Seminário, verdadeira escola de amor, na qual, como a comunidade apostólica, os jovens seminaristas se estreitam à volta de Jesus na expectativa do dom do Espírito para a missão.
"A relação do sacerdote com Jesus Cristo e, n'Ele, com a Sua Igreja situa-se no próprio ser do presbítero, em virtude da sua consagração/unção sacramental, e no seu agir, isto é, na sua missão ou ministério"(31). O sacerdócio mais não é do que um "viver intimamente unidos a Ele"(32), numa relação de íntima comunhão que é descrita "com o matiz da amizade"(33).
A vida sacerdotal é, no fundo, aquela forma de existência que seria inconcebível se Cristo não existisse. Precisamente nisto consiste a força do Seu testemunho: a virgindade pelo Reino de Deus é um dado real, existe, porque Cristo, que a torna possível, existe.

O amor ao Senhor é autêntico quando tende para ser total: inamorar-se de Cristo significa conhecê-lo profundamente, freqüentar a Sua pessoa, identificar-se e assimilar o Seu pensamento e, finalmente, acolher sem reservas as exigências radicais do Evangelho. Só podemos ser testemunhas de Deus se fizermos uma experiência profunda de Cristo; da relação com o Senhor depende toda a existência sacerdotal, a qualidade da sua experiência de martyria, do seu testemunho.


Testemunha do Absoluto é unicamente aquele que tem Jesus por amigo e Senhor, que goza da Sua comunhão. Cristo não é apenas objeto de reflexão, tese teológica ou recordação histórica; Ele é o Senhor presente, é vivo porque Ressuscitado e nós somos vivos só na medida em que participamos cada vez mais profundamente da Sua vida.
Sobre esta fé explícita funda-se toda e existência sacerdotal. Por isso a Encíclica diz: "O sacerdote aplique-se antes de tudo a cultivar com todo o amor que a graça lhe inspira a sua intimidade com Cristo, aprofundando o seu mistério inexorável e beatificante; adquire um sentido cada vez mais profundo do mistério da Igreja, fora do qual o seu estado de vida correria o risco de parecer inconsistente e incongruente"(34).


Além da formação e do amor a Cristo, elemento essencial para preservar o celibato é a paixão pelo Reino de Deus, que significa a capacidade de trabalhar ativamente e sem se poupar para que Cristo seja conhecido, amado e seguido. Como o camponês que, tendo encontrado a pérola preciosa, vende tudo para comprar o campo, assim quem encontra Cristo e emprega toda a sua existência com e para Ele, não pode não viver trabalhando para que outros O possam encontrar.


Sem esta perspectiva, qualquer "impulso missionário" destina-se à falência, as metodologias transformam-se em técnicas de conservação de um aparato, e até as orações poderão tornar-se técnicas de meditação e de contacto com o sagrado, nas quais se dissolvem quer o eu humano quer o Tu de Deus.


Uma ocupação fundamental e necessária do sacerdote, como exigência e tarefa, é a oração que, ao contrário, é insubstituível na vida cristã e por conseguinte na sacerdotal. A ela deve ser reservada uma atenção particular: a celebração eucarística, o Ofício divino, a confissão freqüente, a relação afetuosa com Maria Santíssima, os Exercícios Espirituais, a recitação quotidiana do Santo Rosário, são alguns dos sinais espirituais de um amor que, se faltasse, arriscaria inexoravelmente a substituição com os sucedâneos, com freqüência desprezíveis, da imagem, da carreira, do dinheiro, da sexualidade.


O sacerdote é homem de Deus porque é chamado por Deus a sê-lo e vive esta identidade pessoal na pertença exclusiva ao seu Senhor, que se documenta também na opção celibatária. É homem de Deus porque vive d'Ele, a Ele fala, com Ele discerne e decide, em obediência filial, os passos da sua existência cristã.
Quanto mais os sacerdotes forem radicalmente homens de Deus, através de uma existência totalmente teocêntrica, como foi ressaltado pelo Santo Padre Bento XVI nos votos de Natal à Cúria Romana no passado dia 22 de Dezembro de 2006, tanto mais eficaz e fecundo será o seu testemunho, e o seu ministério rico de frutos de conversão. Não há oposição entre a fidelidade a Deus e a fidelidade ao homem mas, ao contrário, a primeira é condição de possibilidade para a segunda.


Conclusão: uma vocação santa


A Pastores dabo vobis, falando da vocação do padre à santidade, depois de ter ressaltado a importância da relação pessoal com Cristo, expressa outra exigência: ao sacerdote, chamado à missão do anúncio, é confiada a Boa Nova para a doar a todos. Contudo, ele é chamado a acolher o Evangelho antes de tudo como dom oferecido à sua existência, à sua pessoa e como acontecimento salvífico que o compromete a uma vida santa.

Nesta perspectiva João Paulo II falou do radicalismo evangélico que deve caracterizar a santidade do sacerdote; portanto é possível indicar nos conselhos evangélicos tradicionalmente propostos pela Igreja e vividos nos estados de vida consagrada os itinerários de um radicalismo vital ao qual também, a seu modo, o sacerdote é chamado a ser fiel.

A exortação afirma: "Expressão privilegiada da radicalidade são os diversos "conselhos evangélicos", que Jesus propõe no Sermão da Montanha e, entre estes, os conselhos, intimamente coordenados entre si, da obediência, pobreza e castidade: o sacerdote é chamado a vivê-los segundo as modalidades, e mais profundamente segundo as finalidades e significado original, que derivam e exprimem a identidade própria do presbítero"(35).

E ainda, retomando a dimensão ontológica sobre a qual o radicalismo evangélico se funda: "O Espírito, consagrando-o e configurando-o a Jesus Cristo Cabeça e Pastor, cria uma ligação que, situada no próprio ser do sacerdote, precisa de ser assimilada e vivida de maneira pessoal, isto é, consciente e livre, mediante uma comunhão de vida e de amor cada vez mais rica e uma partilha sempre mais ampla e radical dos sentimentos e das atitudes de Jesus Cristo. Neste liga-me entre o Senhor Jesus e o padre, liga-me ontológico e psicológico, sacramental e moral, está o fundamento e, ao mesmo tempo, a força para aquela "vida segundo o Espírito" e aquela "radicalidade evangélica", à qual é chamado todo o sacerdote, e que é favorecida pela formação permanente no seu aspecto espiritual"(36).


A nupcialidade do celibato eclesiástico, precisamente por esta relação entre Cristo e a Igreja que o sacerdote é chamado a interpretar e a viver, deveria dilatar o seu espírito, iluminando a sua vida, acendendo o seu coração. O celibato deve ser uma oblação feliz, uma necessidade de viver com Cristo para que Ele derrame no sacerdote aquelas efusões da sua bondade e do seu amor que são inefavelmente plenas e perfeitas.


A este propósito, são iluminadoras as palavras do Santo Padre Bento XVI: "O verdadeiro fundamento do celibato pode estar contido numa só frase: Dominus pars (mea) Tu és a minha terra. Pode ser apenas teocêntrico. Não pode significar o permanecer privados de amor, mas deve significar deixar-se tomar pela paixão por Deus, e aprender depois, graças a um estar mais intimamente com Ele, a servir também os homens. O celibato deve ser um testemunho de fé: a fé em Deus torna-se concreta naquela forma de vida que tem sentido só a partir de Deus. Apoiar a vida n'Ele, renunciando ao matrimônio e à família, significa que acolho e experimento Deus como realidade e por isso posso levá-lo aos homens"(37).


Notas
1. Cf. I. de la Potterie, Il fondamento biblico del celibato sacerdotale, em Solo per amore. Riflessioni sul celibato sacerdotale, Cinisello Balsamo 1993, pp. 14-15.
2. Cf. A.M. Stickler, em Ch. Cochini, Origines apostoliques du Célibat sacerdotal, Preface, p. 6.
3. Cf. H. Denzinger, Enchiridion symbolorum definitionum et declarationum de rebus fidei et morum, ed., P. Hünermann., Bolonha 1995, nn. 118-119, p. 61.
4. Id., Op. Cit., n. 185, p. 103.
5. Id., Op., Cit., n. 711, p. 405.
6. Id., Op., Cit., n. 1809, p. 739.
7. Conc. Vat. II, Decr. Presbyterorum ordinis, n. 16.
8. Enchiridion do Sínodo dos Bispos, 1.1965-1988, edd. Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, Bolonha 2005, nn. 755-855; 1068-1114; sobretudo nn. 1100-1105.
9. Codex Iuris canonici, Cân. 277 1.
10. João Paulo II, Exort. Apost. Pastores dabo vobis, 25 de Março de 1992, n. 44.
11. Catecismo da Igreja Católica, n. 1579.
12. Paulo VI, Carta Enc. Sacerdotalis caelibatus, n. 1.
13. Id., n. 14.
14. Id., n. 17.
15.Id., n. 19.
16. Id., n. 20.
17. Id., n. 21.
18. Cf. Conc. Vat. II, Const. Dogm. Lumen gentium, n. 5.
19. Ibidem.
20. Paulo VI, Carta Enc. Sacerdotalis caelibatus, n. 26.
21. Id., n. 30.
22. Cf. Id., nn. 27-29.
23.Jo 21, 15.
24. Paulo VI, Carta Enc. Sacerdotalis caelibatus, n. 24.
25.Mt 19, 11.
26. Conc. Vat. II Decr. Presbyterorum ordinis, n. 16.
27.Cf. 1 Cor 7, 32-33.
28. Conc. Vat. II, Decr. Presbyterorum ordinis, n. 16.
29. Paulo VI, Carta Enc., Sacerdotalis caelibatus, n. 21
30. João Paulo II, Pastores dabo vobis, n.42.
31. Id., n. 16.
32. Id., n. 46.
33.Ibidem.
34. Paulo VI, Carta Enc., Sacerdotalis caelibatus, n. 75.
35. João Paulo II, Pastores dabo vobis, n.27.
36. Id., n. 72.
37. Bento XVI, Discurso por ocasião da Audiência à Cúria Romana para a apresentação dos votos de Natal, 22 de Dezembro de 2006.



quinta-feira, 14 de agosto de 2008

São Maximiliano Kolbe



Hoje é o dia em que lembramos São Malimiliano Kolbe - de sua vida é somente conhecida a última parte, em que ele dá a sua vida por um pai de família, no campo de concentração de Auschwitz, mas tem muito mais a ser conhecido. Segue um pouco mais desse Grande Santo, exemplo de vida para todos nós.
São Maximiliano Kolbe, rogai por nós!
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Maximiliano Kolbe Patrono da imprensa
Por Maria Auristela B. Alves
Raimundo Kolbe nasceu no dia 8 de janeiro de 1894, em Zdunska Wola, na Polônia, numa família de operários profundamente religiosos, que lhe deram pouco conforto material, mas proporcionaram-lhe um ambiente de fé e acolhida da vontade de Deus.
Por volta dos nove anos, ajoelhado diante do oratório na modesta casa de seus pais, apareceu-lhe a Virgem Maria, segurando uma flor branca – representando a virgindade – e uma vermelha – simbolizando o martírio – e perguntou-lhe qual preferia; ele, angustiado pela difícil escolha, respondeu: “As duas”.
Aos 13 anos, entrou no seminário dos Frades Menores Conventuais e, emitindo sua profissão religiosa, recebeu o nome de Maximiliano Maria.
Concluindo os estudos preliminares, foi enviado a Roma para obter doutorado em filosofia e teologia.Em 1917, movido por um incondicional amor a Maria, fundou o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada”.
A milícia seria uma ferramenta nas mãos da Medianeira Imaculada para a conversão e santificação de muitos. No ano seguinte, 1918, foi ordenado sacerdote e voltou à sua pátria, onde foi designado para lecionar no Seminário Franciscano, em Cracóvia.
Então, organizou o primeiro grupo da milícia fora da Itália.
Recebendo a permissão de seus superiores para dedicar-se mais à promoção da milícia e desejoso de que muitas almas conhecessem a Deus e amassem a Nossa Senhora, começou a evangelizar através da imprensa escrita.
Em 1922, mesmo sem dispor de recursos financeiros, fundou uma revista mensal intitulada “Cavaleiro da Imaculada”, que poucos anos depois chegava à elevada tiragem de um milhão de exemplares. A esta revista seguiram-se outras iniciativas editoriais: uma revista para crianças, “Pequeno Cavaleiro da Imaculada”; uma revista latina para sacerdotes, “Miles Immaculatae”, e um diário que chamou de “Pequeno Jornal”, com 200 mil exemplares.
O apostolado da imprensa era seu carisma.Em 1929, fundou o convento chamado “Niepokalanow”, que significa cidade de Maria. Era um verdadeiro recanto de oração e caloroso posto de trabalho para aqueles franciscanos engajados na evangelização através da imprensa. Dois anos depois, atendendo ao pedido do Santo Padre aos religiosos para auxiliar os esforços missionários da Igreja, foi para o Japão e fundou outra cidade da Imaculada, a “Mugenzai no Sono”.
Em Nagasaki fundou também a revista “Cavaleiro da Imaculada”, que, apesar do restrito meio católico, alcançou a tiragem de 50 mil exemplares.Desejava ir para a Índia e para os países árabes e, também lá, fundar revistas e jornais que propagassem a devoção à Imaculada, como instrumento de divulgação do Reino. No entanto, teve de retornar à Polônia, como diretor espiritual de Niepokalanow, em 1936.
De 1936 a 1939, início de Segunda Grande Guerra, Maximiliano Kolbe redobrou seu zelo no apostolado da imprensa, enquanto se ocupava também da direção do convento e da formação de 200 jovens. No dia 1º de setembro de 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia de surpresa, destruindo qualquer resistência.
Os frades foram dispersos e Niepokalanow foi saqueada. Frei Maximiliano e cerca de 40 outros frades foram levados para os campos de concentração. Na celebração da Imaculada Conceição do mesmo ano foram libertos. Para incriminar Frei Maximiliano Maria Kolbe, a Gestapo permitiu uma impressão final do “Cavaleiro da Imaculada”, em dezembro de 1940.
No dia 17 de fevereiro de 1941, foi preso e levado à prisão Pawiak, na Varsóvia, e, ao fim de maio do mesmo ano, foi transferido para o campo de extermínio de Auschwitz, perto de Cracóvia. Era um campo de horrores. Lá foram mortos, depois de incríveis sofrimentos, quatro milhões de seres humanos. Os judeus e os padres eram os mais perseguidos. Os judeus tinham o direito de viver duas semanas, e os padres católicos, um mês.
Em resposta ao ódio dos guardas da prisão, Frei Maximiliano era obediente e sempre pronto a perdoar. E aconselhava os colegas prisioneiros a confiar na Imaculada, a perdoar, a amar os inimigos e orar pelos perseguidores: “O ódio não é a força criativa; a força criativa é o amor”.
Era notado pela generosidade em dar o seu alimento aos outros, apesar dos prejuízos da desnutrição que sofria, e por ir sempre ao fim da fila da enfermaria, apesar da tuberculose aguda que o afligia.
Na noite de 3 de agosto de 1941, um prisioneiro escapou com sucesso da mesma seção onde Frei Maximiliano estava detido. Em represália, o comandante ordenou a morte por inanição de 10 prisioneiros, escolhidos aleatoriamente. O sargento Franciszek Gajowniczek, que fora escolhido para morrer, gritou lamentando que nunca mais veria a esposa e os filhos. Então, saiu da fila o prisioneiro nº 16670, pedindo ao comandante o favor de poder substituir aquele pai de família.
O comandante perguntou, aos berros, quem era aquele “louco”, e, ao ouvir ser um padre católico, aquiesceu ao pedido. Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados numa pequena, úmida e totalmente escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome.
Durante 10 dias Frei Maximiliano conduziu os outros prisioneiros com cânticos e orações, e os consolou um a um na hora da morte. Após esses dias, como ainda estava vivo, recebeu uma injeção letal e partiu para o paraíso. Era o dia 14 de agosto de 1941.
O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.
Ao final da Guerra, começou um movimento pela beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe, que ocorreu em 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI.
Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, São Maximiliano foi canonizado pelo Papa João Paulo II, como mártir da caridade. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa.

Fonte: Comunidade Shalom

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pecado, Purgatório e Indulgências

Vamos entender um pouco mais sobre a nossa fé? Entendendo as Indulgências.


(... )
ANTES porém de falar sobre o que é uma INDULGÊNCIA ou como consegui-la, é preciso primeiro que saibamos alguma coisa sobre o pecado e sobre as suas conseqüências. E perguntamos:

a) Que é o pecado?

Todo o pecado seja ele VENIAL ou leve, seja MORTAL ou grave, é sempre uma ofensa que nos priva da comunhão com Deus e é também uma ofensa aos irmãos, na medida em que fere também a Igreja, o corpo místico de Cristo e por isso tem uma dupla conseqüência, isto é, a Culpa e o Dano, o chamado "REATO".

1 - A culpa é a causada perante Deus, por qualquer pecado cometido por nós, pois ele sempre representa uma ofensa a Deus, que é puríssimo e é perfeitíssimo, e sendo pecado mortal, nos priva inclusive da vida eterna;

2 - O dano é causado a nossos irmãos, porque qualquer pecado cometido, tanto ofende a Deus, quanto afeta ou atinge a cada um de nós que somos o Corpo Místico de Cristo e vivemos em comum união.

Isto significa que o pecado de uns é a causa dos males que acontecem a outros. Ou seja, por causa de qualquer pecado que eu cometo, outra pessoa deixa de receber uma graça, ou é prejudicada em sua vida ou sua alma; o pecado de uns prejudica a todo o Corpo Místico.
Então a perfeita justiça divina exige, que este dano seja reparado, para o bem da alma da pessoa que o cometeu. Como nada podemos fazer para Deus, diretamente, que apague este dano, se não nos desculpamos diretamente e sanamos o mal causado, aliando a isso um profundo arrependimento e um firme propósito de emenda, devemos reparar este dano nos purificando no purgatório. Então perguntamos:

b) Como isso funciona?

A culpa:
É apagada perante Deus pela confissão e a absolvição, feitas apenas por um sacerdote, que para isso recebeu do próprio Jesus o poder de perdoar pecados, (Jo 20,23)e é mais ou menos como se Deus dissesse: Para Mim filho, você não deve mais nada; vai e não tornes a pecar!(Jo 8,11). Assim, Deus SEMPRE perdoa a todos aqueles que a Ele recorrem contritos, humildes e profundamente arrependidos. Quer dizer: Deus NÃO pode perdoar, a quem a ELE deixa de recorrer, através do seu sacerdote, até sob pena de se contradizer, pois Jesus outorgou aos sacerdotes este poder. Há apenas um momento, o da morte, onde alguma coisa acontece ainda entre a alma e o Criador, que não conseguimos explicar.
São Bernardo diz inclusive, que "entre o momento da morte e a eternidade existe um abismo de misericórdia". Sabe-se que a alma, mesmo aquela renegada, recebe de Deus a graça de, naquele último milésimo de segundo ainda decidir por Ele. Mas não vale a pena "pagar para ver", porque nestes casos o purgatório é quase infinito, ou seja, um "quase inferno", eis que a "distância" entre ambos é de "milímetros ".
Segundo revelações particulares, um dos sofrimentos mais angustiosos das almas que estão no mais profundo purgatório, "é ouvir os gritos lancinantes das almas condenadas" eternamente no inferno.

Desta forma, ainda que só se percam aqueles que assim o quiserem e aqueles que acham seu pecado maior que a misericórdia divina, o tal "pecado contra o Espírito Santo" e que não tem perdão, é melhor construirmos AQUI, em vida, a nossa "PONTE", edificando sob Jesus e conquistando AQUI os méritos e as graças, (ou "pedras") necessárias para cimentar a estrada que nos leva direto aos braços do Pai Eterno, no exato momento da morte.

O dano:
Ora, sabemos que o pecado é a causa de todo o mal. Quer dizer, o pecado de cada um é fonte do mal que acontece a todos, pois se não houvesse nenhum pecado no mundo, não haveria mal nem maldade e nenhum mal atingiria ninguém, sob nenhuma forma. Como conseqüência, mesmo depois de havermo-nos confessado e recebido a absolvição, resta ainda o dano a ser sanado ou reparado.
A Justiça Divina precisa ser satisfeita, pela reparação completa do mal causado aos irmãos, pois todos fazemos parte do Corpo Místico de Cristo. E isso nem sempre se consegue, apenas pelo cumprimento da penitência imposta pelo sacerdote, porque quase nunca há uma contrição verdadeira e um arrependimento profundo e sincero.
Resta quase sempre, ainda um saldo de dano a ser reparado. Assim, no fim da vida, a soma destes danos acumulados e a gravidade deles é que vai determinar o tipo de expiação exigida e a duração e a intensidade da pena que devemos pagar no purgatório, após a nossa morte.

Na prática é mais ou menos o seguinte: Se eu roubo alguma coisa, roubo de alguém! Certo? Então não basta eu receber o perdão de Deus através do sacerdote. É preciso que eu devolva o bem roubado e peça perdão ao meu irmão. Como quase ninguém faz isso em vida, fica o dano a ser reparado no purgatório, logo após a morte da pessoa.

c) Quanto tempo se fica no purgatório?

Pode ser por apenas um segundo... como pode ser também de um milênio. No livro da Maria Sima, consta o caso de um sacerdote que estava há mais de 1.500 anos no purgatório. Já santa Francisca disse que: "as almas passam no purgatório, em média 30 anos". E isso é terrível!

Que acontece então? Se a pessoa em vida reza o suficiente, sacrifica-se, isto é, "toma a sua cruz e segue a Jesus", sem reclamar, no momento da morte terá o suficiente em graças ou méritos alcançados para "contrabalançar" os danos a serem reparados e nada restará a pagar.
Por outro lado, se a pessoa não reza o suficiente em vida, não vive a caridade e foge de todas as formas de sofrimento, isto é, da sua cruz diária, coisas absolutamente necessárias para obter as "pedras" ou "graças" capazes de saldar aqui todas as suas dívidas para com a perfeita Justiça Divina, quando vai a eternidade precisa antes expiar essas faltas, porque ninguém chega impuro, diante da pureza infinita de Deus.
Eis então que a espera o purgatório, para que a alma se purifique plenamente. Como no purgatório ela não pode rezar por si mesma, torna-se "mendiga" de graças e se não rezam daqui por ela pode passar até séculos sofrendo. Se rezam, vai ao céu mais rápido! É por isso que se reza ou se manda celebrar Santas Missas pelas almas após a morte.

Um coisa porém temos que ter em mente. "O amor é a medida de todas as coisas!" Isto é, depende do amor que temos a uma oração ou à Santa Missa, o valor da graça alcançada. Quem reza sem vontade ou sem devoção, tem os méritos muito diminuídos e portanto recebe poucas graças. Quem durante a vida não teve amor profundo à Santa Missa nem amou a Eucaristia, ou assiste o Santo Sacrifício sem devoção, de nada lhe adiantará mandar celebrar missas depois de morto, embora esta seja a maior das orações. Temos pois que amar profundamente aqui, para ter-mos méritos lá.

Vê-se então que o purgatório, longe de ser um castigo divino, é um verdadeiro abismo da divina misericórdia, pois se o Pai não permitisse este intercâmbio incrível de graças, entre padecentes, glorificados e nós os militantes, quase não haveria santos no céu. Haveria sim é um inferno intensamente povoado.

d) E onde entram as Indulgências?

Entram exatamente aqui!
A Igreja, detentora dos méritos únicos e exclusivos, resultantes da Paixão e da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, é coletora e despenseira das graças dela resultantes, provenientes das orações de todos os fiéis, dos seus sacrifícios, penitências e reparações.
Ou seja, a soma das orações, dos sacrifícios, das penitências e das poderosíssimas Santas Missas e tantos outros meios de salvação que nos foram deixados por Jesus, passam a fazer parte do tesouro da Igreja.
Este tesouro, pode ser canalizado por ela e, mais facilmente através de Maria que é medianeira de "todas as graças", para Jesus nosso Redentor e Salvador, único caminho de salvação e Dele ao Pai, para a quitação dos "débitos" da almas, com a perfeita justiça de Deus. Jesus deu este poder a Sua Igreja!

Assim, ao conceder uma indulgência, seja através da participação de um ato litúrgico, seja de um canto, ou de uma oração, a Igreja nada mais faz do que retirar de seu tesouro uma parte dele e canaliza-lo para quitar o débito da pessoa, que cumpre perfeitamente o ritual imposto para se conseguir a indulgência.

e) Como pode ser a indulgência?

1) PARCIAL:
Significa a remissão de parte do tempo que a pessoa deveria permanecer no purgatório, 10 dias, cem dias etc.
Exemplo: Antigos cânones da Igreja, nunca revogados e portanto em pleno vigor, dão 7 (sete) dias de remissão de pena de purgatório, para cada vez que você pronuncia com devoção os Santíssimos nomes de Jesus e de Maria; Quanto representa um terço? E um rosário? Faça as contas!
Estes mesmos cânones prescrevem, sete, dez ou até quinze anos de purgatório, por apenas um pecado mortal. Este é apenas um exemplo. Eis porque o Rosário, depois da Santa Missa é a oração mais indulgenciada. Vemos assim, que a indulgência parcial, redime apenas parte do dano, diminuindo o tempo de purgatório, conforme o mérito de quem consegue a graça.

2) PLENÁRIA:
Significa obter a remissão TOTAL, de todas as penas devidas, por TODOS os pecados da pessoa, já perdoados quanto a culpa através da confissão, até aquele dia e aquela hora da indulgência obtida;
Quer dizer, se a pessoa morresse naquela hora, iria direto ao céu, sem ter que passar nem um minuto pelo purgatório. Incrível!
Se então, como diz a grande Santa Francisca, a média de as pessoas passarem no purgatório é de trinta anos, vemos que trinta anos de sofrimento podem ser evitados por um simples ato de obediência e humildade. Por um simples ato de fé, porque é preciso acreditar na misericórdia divina e é preciso cumprir plenamente os pré requisitos exigidos e as condições impostas pela Igreja para que a pessoa alcance o mérito da indulgência.
A Plenária elimina e repara então TODO o dano e toda a culpa devida, por todos os pecados, até aquele dia. Se acreditamos na Igreja, se sabemos que a ela foi conferido o poder de conceder indulgências, porque iremos deixar de buscar estas preciosas graças?

ENFIM:
Preparemo-nos, pois "ninguém sabe o dia nem a hora". Os tempos são maus e tudo pode acontecer de repente. Tenhamos pois nossas "lâmpadas cheias de azeite, pois o Noivo se aproxima". E quanto menos contas tivermos a pagar, tanto mais carinhosamente Ele nos acolherá em Seus braços, e menor será nosso sofrimento!

LIVROS INDICADOS:
(Tenha todos em casa. Eles valem um tesouro infinito!)

1) CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – Editora Vozes Ltda – 1993. (Ed. Loyola – Fone: 011 914-1922)
2) MANUAL DAS INDULGÊNCIAS – Editora Paulus – 1990 – Fone: 011 5084-3066
3) O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS – Prof. Felipe Aquino – Editora Cléofas – 1998 – Fone: 012 552-6566

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Feliz dia dos Pais

Ontem celebramos o Dia dos Pais... e não poderia deixar de homenagear a todos os Pais!


Pai é aquele que demonstra, aqui na Terra, uma parcela do amor que o Pai do Céu tem por nós...


Pela intercessão de São José, peço hoje a Deus para que todos os Pais busquem a Deus, e O levem pra casa, para que seus filhos também O conheçam!


Além da educação, do alimento, do estudo e tantas outras coisas que ficam a cargo dos pais, temos uma essencial, e que é deixada para trás muitas vezes: a formação Cristã!


Fale sobre Deus com seus filhos.

Vá à missa, e leve-os com você.

Reze o terço com eles. Reze antes das refeições, louve a Deus pelo dia que se findou, e pelo que acaba de começar.

Entregue, junto de seus filhos, suas dificuldades aos pés da Cruz... reze por eles, impondo suas mãos, quando estiverem doentes e mesmo quando estiverem dormindo... e tenha a certeza de que terá filhos cheios do Espírito Santo.

Abraços fraternos.